segunda-feira, 15 de junho de 2009

Aumenta o número de jovens envolvidos com a criminalidade


15/06/09

O envolvimento de adolescentes no mundo do crime tem acontecido cada vez mais cedo e com mais freqüência. A morte da menina Gabriela Nunes de Araújo de 8 anos na cidade de Rio Claro chocou o país, tanto pelo local do crime (um condomínio de luxo) quanto pela crueldade do autor do disparo, um garoto de 17 anos que atirou na cabeça da menina ao escutar o alarme da casa. O jovem, detido no último sábado, invadiu o condomínio com outro rapaz de 18 anos, este ainda foragido, para assaltar a residência.

O número de jovens infratores tem sofrido aumento considerável nos últimos anos, inclusive em Santa Bárbara d'Oeste. Há 15 anos no cargo de delegado da Polícia Civil, Rômulo Gobbi relata que, no intervalo de dez anos, o índice de menores de idade na criminalidade espanta: "Eram detidos de dois a três por ano. Lembro-me que tivemos de construir uma cela especial na cadeia para os menores, mas isso em 1994, antes disso, não tínhamos adolescentes detidos. Hoje em dia, posso dizer que Santa Bárbara prende mais adolescentes que muitas outras cidades do país".

O número de registros de infrações cometidas por jovem no período de janeiro a abril deste ano, já ultrapassa o total de infrações registradas em 2008. Este ano, foram registradas na Vara da Infância e Juventude do Fórum Municipal 273 infrações atribuídas aos menores de idade contra 244 registradas em todo o ano passado. Quanto às internações na Fundação CASA (antiga Febem), os índices se invertem: em 2008, 31 jovens foram recolhidos à instituição, este ano foram 5. Atualmente, outros 102 menores cumprem medida sócio-educativa: 67 deles são assistidos em liberdade pela justiça e outros 35 prestam serviços à comunidade.

Gobbi defende ainda a revisão das políticas voltadas aos jovens, em especial a que diz respeito ao tempo da medida sócio-educativa que é de 6 meses a 3 anos. Caso detido próximo a completar 18 anos, o adolescente permanece na Fundação CASA até cumprir a duração da medida conforme determinação da justiça, mas não ultrapassando a idade limite (21 anos). "Vimos o caso desse rapaz que matou a criança. É um crime hediondo, mas ele não vai ficar muito tempo recolhido. A idade máxima para ele ficar na CASA é de 21 anos, depois ele está livre, só que para a vítima não tem mais volta".

Falta diálogo

Pesquisas apontam que as drogas e o álcool são as principais alavancas do adolescente para o ato criminoso. "Ele vai buscar meios para sustentar seu vício. Em Santa Bárbara, já tivemos casos de jovens que recebiam droga de graça e, quando ficaram viciados, o traficante passou a cobrar pela droga ou usá-los para cometer os crimes", revela a presidente do Conselho Tutelar de Santa Bárbara d´Oeste, Maria Aparecida Sobrinho Xavier. "E se tiverem feito o uso de droga antes do ato, tendem a ser mais agressivos também", completa.

Outro ponto emerge do assunto: afinal, o que leva um jovem a se envolver com as drogas. Os motivos mais apontados pelos profissionais foram: curiosidade e falta de estrutura familiar. Muitos desses jovens são filhos de pais separados, segundo eles. "Na maioria das vezes existe um confronto em casa e a droga serve de escape para ele, ou até mesmo uma forma de agredir os pais, porque ninguém quer ver o filho numa situação dessas. Por isso é importante manter o diálogo com ele desde pequeno", frisa a presidente do Conselho Tutelar.

Nos casos em que o adolescente já esteja fazendo uso das drogas, Maria Aparecida alerta os pais para que procurarem pelo Conselho Tutelar e seja realizado o trabalho de recuperação do jovem, com acompanhamento psicológico e a inclusão em projetos que ocupem o tempo ocioso. "Os pais devem ser o suporte desse filho. Existem pais que são chamados na polícia, mas não vão, eles lavam as mãos. Essa postura é errada, porque se não forem o suporte, o que será desse jovem?", ressalta.

Falta mais investimento

Para o delegado da Polícia Civil, falta investimento municipal, estadual e federal às causas que dizem respeito aos jovens. A nível municipal, Gobbi reivindica a construção de quadras poliesportivas, áreas verdes e a criação de um programa de esportes que envolva os jovens de cada bairro. "O esporte colabora na educação e assim a criança, o jovem não fica tão à mercê das drogas, porque aí ele estaria comprometendo o desempenho do time dele e a realização de outras atividades".

A nível estadual e federal, o delegado desabafa: "O poder público gasta mais dinheiro em carnaval do que com abrigos para criança. Esse descaso só faz crescer a produção de bandidos e o número de cadeias no país. Só no Estado de São Paulo, serão construídas mais 43 penitenciárias porque as que existem não estão mais dando conta".

O secretário da Seme (Secretaria Municipal de Esportes) confirma a existência de grupos esportivos voltados às crianças de 7 a 14 anos, o "Crescendo no Esporte", em diversos bairros barbarenses e a recém criação da escola de futebol no CSU (Centro Social Urbano) destinada aos jovens de 14 a 20 anos. "Tínhamos uma carência muito grande em atividades voltadas para esses jovens. Este ano conseguimos implantar a escolinha e a idéia é estender o projeto para outras modalidades". A inscrição para a escola pode ser feita de terça a quinta-feira à tarde no CSU ou de segunda a sexta-feira, na Seme.

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